terça-feira, 11 de setembro de 2012

PF deve fiscalizar atividades de segurança privada em agências bancárias

Crime da saidinha de banco provocou 16 mortes em 2011


A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo (PRDC) ajuizou ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Justiça Federal obrigue a Polícia Federal a regulamentar e fiscalizar as atividades de segurança privada nos bancos. O objetivo é fazer com que os bancos adotem medidas de segurança que garantam proteção à vida, à integridade física, à segurança e à propriedade dos clientes que diariamente realizam transações bancárias.
Uma liminar pede que sejam adotadas medidas que garantam a segurança dos clientes como, por exemplo, a colocação de divisórias entre os caixas e a área de espera de atendimento para impedir a visualização de “olheiros”. A liminar pede também a instalação de câmeras filmadoras de alta resolução com monitoramento em tempo real nas áreas de circulação de clientes e áreas externas, para identificação de eventuais criminosos, entre outras medidas.
No inquérito instaurado em 2011, com objetivo de apurar casos de latrocínio ocorridos nas saídas de agências bancárias, o Ministério Público Federal apurou que é a Delegacia de Controle de Segurança Privada, da Polícia Federal, a responsável pela fiscalização do cumprimento dos planos de segurança das agências bancárias.
Em resposta, o órgão informou que a prática de latrocínios posteriores aos saques bancários, em regra, não está diretamente relacionada aos planos de segurança exigido das instituições financeiras, porque ocorre após o horário de expediente bancário, ocasião em que não se faz obrigatória a presença de vigilantes.
Saidinha de banco
A PRDC também requereu a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo dados estatísticos dos crimes de latrocínio cometidos logo após a saída de agências bancárias, nos anos de 2010 e 2011, e demais informações a respeito do crime conhecido popularmente como “saidinha de banco”.
Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, o que chamou a atenção na apuração é o fato de que a maioria dos crimes se inicia ou são organizados dentro das agências bancárias, em razão da fragilidade do sistema de segurança das agências e pela falta de privacidade para as transações financeiras (saques nos caixas e nos terminais de autoatendimento).
— É muito comum o criminoso acompanhar os passos da vítima dentro da agência bancária que, ao sair, é facilmente surpreendida pelo agressor ou seu comparsa. Outra forma para a prática do crime é a escolha das vítimas pelos “olheiros” que estão dentro da agência, os quais informam, por celular, a saída da vítima.
Falta de investimento
O MPF também apurou que os bancos investem pouco em segurança. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), informou que só em 2011, os cinco maiores bancos apresentaram um lucro líquido total superior a R$ 50,7 bilhões, mas o montante direcionado à segurança e vigilância somam pouco mais de R$ 2,7 bilhões.
Essa falta de investimento reflete no resultado das apurações dos crimes cometidos. Em alguns casos a qualidade das imagens gravadas pelo circuito interno de televisão é de tão baixa qualidade que sequer é possível a identificação de criminosos que agem dentro das agências bancárias, como aconteceu em um dos casos que o MPF teve acesso e que foi arquivado pela impossibilidade de se identificar os assaltantes.
Polícia Federal
O Departamento de Polícia Federal é o órgão da Administração Direta da União, vinculado ao Ministério da Justiça, responsável pela fiscalização e autorização de funcionamento das empresas de segurança privada que prestam serviços de segurança, inclusive às instituições financeiras.
A segurança privada das instituições bancárias pode ser realizada pelo próprio banco ou por empresas especializadas contratadas, porém, em ambos os casos só podem ser realizadas mediante autorização e fiscalização da PF e devem possuir plano de segurança bancário devidamente aprovado pelo Delegado Regional Executivo da Polícia Federal.
A Lei nº 7.102/83 estabelece que é vedado o funcionamento de qualquer estabelecimento financeiro onde haja guarda de valores ou movimentação de numerário, que não possua sistema de segurança com parecer favorável à sua aprovação, nesse caso da PF.
Para o MPF, a lei não está sendo cumprida, os bancos insistem em manter a vulnerabilidade de suas instalações, bem como não adotam medidas que visam proteger os seus clientes na saída das agências. As multas aplicadas pala PF comprovam o descaso. De 2010 até abril de 2012 já foram R$ 4,4 milhões em penalidades.
A fiscalização também é falha. O órgão não é eficaz em obrigar os bancos a adotar medidas de segurança e equipamentos de prevenção a crimes para seus clientes. As normas que regulamentam a segurança nos estabelecidos está mais voltada à proteção do patrimônio do que a vida dos clientes.
Consumidor
O procurador também afirma que os direitos do consumidor estão sendo violados. Os bancos, como fornecedores de serviço, devem obedecer o artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que estabelece a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.
Em São Paulo já existe a Lei nº 14.364/11, que obriga todas as agências e postos de serviços bancários a instalarem divisórias individuais entre os caixas e o espaço reservado para clientes que aguardam atendimento.
A fiscalização é realizada pelo Procon, que informou que após a instalação dessas cortinas, o crime de “saidinha de banco” foi reduzido em 80%. Para o MPF, os bancos devem responder pela má prestação do serviço bancário.
Fonte: R7

Assaltos e arrombamentos a bancos aumentam em todo o País

Ao longo do primeiro semestre deste ano, o número de assaltos a bancos no País cresceu 25,2% em relação ao mesmo período de 2011. Os dados são da 3ª Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos, divulgada, nesta segunda-feira, em Curitiba.O levantamento foi elaborado pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf), com apoio técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O número de assaltos a banco passou de 301 para 377 casos. Já os arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos passaram de 537 para 884 no mesmo período, significando um crescimento de 64,6%. Somadas, ambas as modalidades de ataques a bancos chegaram a 1.261 ocorrências, uma alta de 50,5% em relação ao primeiro semestre do ano passado, quando houve 838 casos. Entre as fontes da pesquisa estão estatísticas de secretarias estaduais de Segurança Pública, notícias publicadas pela imprensa e levantamentos de sindicatos e federações de trabalhadores. No mês passado, a CNTV, a Contraf e o Dieese haviam divulgado 27 mortes em assaltos a bancos, de janeiro a junho de 2012.
Nas estatísticas de assaltos a bancos por Estado, São Paulo lidera o ranking, com 99 casos no primeiro semestre, seguido pela Bahia (37), Ceará (26), Pernambuco (18), Paraíba (17), Paraná (16) e Mato Grosso (16). Em termos percentuais, o maior crescimento ocorreu no Ceará, que passou de cinco casos no primeiro semestre de 2011 para 26 no mesmo período deste ano, revelando uma alta de 420%.
O ranking de arrombamentos também é liderado por São Paulo, com 190 casos. Na sequência, aparecem Minas Gerais (151), Santa Catarina (121), Paraná (93), Bahia (54), Rio Grande do Sul (40) e Mato Grosso (32). O maior crescimento do número de casos ocorreu em Minas Gerais, com um salto de cinco para 151 ocorrências, uma variação de 2.920% em relação ao primeiro semestre do ano passado. As entidades acreditam que os dados reais podem ser ainda maiores, em razão da dificuldade de se obter esse tipo de informação em alguns Estados. Casas lotéricas, unidades do Banco Postal dos Correios e correspondentes bancários não constam do levantamento.
"Esperamos que o anteprojeto de lei que trata do estatuto da segurança privada seja apresentado ainda este ano pelo Ministério da Justiça. A legislação atual está defasada", disse Ademir Wiederkehr, diretor da Contraf. "Queremos mais segurança para proteger a vida das pessoas. Não queremos mais a morte de clientes e trabalhadores", afirmou.
Entre as reivindicações que constam no anteprojeto estão a obrigatoriedade de porta giratória com detector de metais antes das salas de autoatendimento; instalação de vidros blindados nas fachadas das agências; colocação de câmeras de monitoramento dentro e fora dos bancos; ampliação do número de vigilantes; uso de divisórias entre os caixas e biombos antes da fila de espera; e isenção de tarifa para transferências eletrônicas de recursos entre bancos diferentes.
As entidades sindicais também defendem maior controle e fiscalização por parte do Exército no transporte, armazenamento e comércio de explosivos. Em 2011, de acordo com números apresentados pela CNTV, houve pelo menos 44 ocorrências de roubos de cargas de explosivos no País, sendo 15 delas em Minas Gerais. Esse fato explicaria, em parte, o aumento significativo de casos de arrombamento registrados no Estado. Em segundo lugar aparece o Paraná, com dez ocorrências de roubos de explosivos.
"Em cada uma dessas ocorrências são roubadas toneladas de dinamite", disse o presidente da CNTV, José Boaventura Santos. "As mineradoras deveriam ser obrigadas a ter um plano de segurança para o transporte desse material, com a contratação de vigilância", declarou.
Questionado se já havia feito algum contato com o Exército sobre o assunto, o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, João Soares, disse que o órgão participou recentemente de uma audiência pública sobre o tema, realizada na Assembleia Legislativa do Paraná. "O representante do Exército, nessa ocasião, informou que é praticamente impossível fiscalizar tudo. Eles fazem uma fiscalização por amostragem", disse Soares. "Precisamos de uma fiscalização mais consistente, com medidas como rastreamento dos artefatos por chips ou códigos de barras. Há locais que vendem banana de dinamite por R$ 10", completou.
Os trabalhadores reclamam ainda do baixo orçamento destinado pelos bancos para gastos com segurança. No primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos aplicaram R$ 1,5 bilhão em segurança, o equivalente a 6% do lucro líquido de R$ 24,6 bilhões obtido no período.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgou em nota, que a segurança dos seus funcionários e clientes é preocupação central dos bancos. Informou, ainda, que os investimentos em segurança feitos pelo setor passaram de R$ 3 bilhões, em 2002, para R$ 8,3 bilhões em 2011, o que significaria um aumento de 62,4% em termos reais.
De acordo com a Federação, os assaltos diminuíram 78% entre os anos de 2000 e 2011, passando de 1.903 para 422. Ainda segundo a Febraban, os bancos seguem a Lei Federal nº 7.102/1983 e sua regulamentação. "O aprimoramento da segurança bancária levou a uma adaptação e migração dos criminosos profissionais para assaltos fora das agências bancárias", diz a nota.
Fonte: Portal Terra e SVNIT

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Adicional de Risco de Vida/Periculosidade


Medidas Provisórias e proximidade do recesso parlamentar são obstáculos para que o PL 1033 entre novamente na Pauta do plenário da Câmara dos Deputados

Depois de uma manobra articulada entre o PR e o presidente da FENAVIST, no dia 26/06, o PL 1033 foi retirado de pauta no plenário da Câmara dos Deputados e tivemos a promessa de que seria colocado novamente nesta terça, 03/07. De lá para cá, tivemos a garantia do líder do PR, deputado Lincoln Portela de que apoiam o adicional de Risco de Vida dos Vigilantes.

Com essa perspectiva, a CNTV mobilizou as entidades, lideranças e vigilantes para a luta prevista para esta terça--feira. No entanto, uma Medida Provisória que trata de
reajuste dos servidores públicos com centenas de emendas está trancando a pauta da Câmara. E a notícia é que outras virão ao reboque desta. Hoje estaremos com os olhos voltados para essa votação na Câmara, pois caso a MP seja votada e as outras MPs não cheguem de imediato, teremos uma chance de ver nosso PL 1033 na pauta. Com esse objetivo, durante todo o período da tarde desta terça-feira estaremos nas galerias da Câmara dos Deputados e conversando com os parlamentares, cobrando a inclusão do PL 1033 na pauta do plenário daquela Casa.

Outro ponto contra o nosso pleito é o recesso parlamentar que começa no dia 17/07 e termina em 1° de agosto. No segundo semestre, com as eleições municipais, dificilmente o Congresso Nacional se reunirá para votar. Mesmo assim, estamos confiantes no nosso poder de pressão e persuasão para garantir uma grande vitória para os vigilantes. É só uma questão de tempo.

Além de diretores da CNTV, estão em Brasília para ajudar nessa luta as seguintes representações:
FITV – Federação Interestadual dos Vigilantes (Centro Oeste), FESVINE – Federação dos Vigilantes (Região Norte), SINDESV-DF, SINDVALORES-DF, Sindicato dos Vigilantes de Goiânia, Sindmetropolitano (Bahia), SINDVIG – Florianópolis/SC, SINVAC – Blumenau, SINVAC Criciuma, Sindicato dos Vigilantes de Rondonópolis/MT, Sindicato dos Vigilantes de Parauapeba/PA.

Temos grandes lutas pela frente e contamos com a participação de todos e todas.

Fonte: CNTV e SVNIT